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“Indústria de cimento arrisca fechar fábricas”, afirma ATIC

“Consumo de cimento no mercado interno tem estado a recuperar, mas ainda está 70% abaixo do máximo histórico. As exportações têm sido a solução, mas a subida de importações pode vir a fechar fábricas, segundo Gonçalo Salazar Leite, presidente da Associação Técnica para a Indústria de Cimento.”

Jornal Económico, 31.05.2019

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Setor da indústria e construção debate a descarbonização e sustentabilidade 

“A ATIC – Associação Técnica da Indústria do Cimento realiza na segunda-feira, no CCB, a conferência “Desafios à sustentabilidade dos sectores económicos portugueses​: descarbonização da indústria, smart cities e construção”. Luís Fernandes, engenheiro e CEO da Cimpor Portugal, explica em que consiste a iniciativa.”

TVI24, 02.06.2019

Indústria do cimento compromete-se a reduzir em 80% emissões de CO2 até 2050

“O Congresso de Sustentabilidade ATIC, organizado pela Associção Técnica Da Indústria De Cimento, realizou-se esta segunda-feira. Em cima da mesa estiveram as medidas a adotar para combater as alterações climáticas provocadas pela indústria.”

TVI24, 03.06.2019

Indústria do cimento compromete-se a “acelerar” medidas para combater o aquecimento global

“Rita Barão Mendes, jornalista da TVI, esteve no Congresso Sustentabilidade ATIC, organizado pela Associção Técnica Da Indústria De Cimento para conhecer as medidas ambientais que serão aplicadas até 2030.”

TVI24, 03.06.2019

Portugal está na linha da frente da redução do CO2 na União Europeia

“Ministro da Economia pede que todos os setores da Economia contribuam para a sustentabilidade do planeta.”

TVI24, 03.06.2019

Metas ambientais de Bruxelas põem em causa a indústria do cimento

“Conciliar a competitividade no mercado global e cumprir os compromissos ambientais foi o desafio lançado numa conferência no Centro Cultural de Belém.”

TVI24, 03.06.2019

ON-LINE

Indústria do cimento debate descarbonização em conferência esta segunda-feira no CCB.
"Iremos dar espaço a especialistas numa perspetiva transversal – da arquitetura, da engenharia, da banca de investimento e, como é óbvio, da própria indústria nacional”, é assim que Gonçalo Salazar Leite resume a conferência que a ATIC irá promover esta segunda-feira, dia 3 de junho, entre as 8h30m e as 11 horas, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. 03.06.2020

“O lema desta iniciativa é ‘Desafios à Sustentabilidade dos Setores Económicos Portugueses: Descarbonização da Indústria, Smart Cities e Construção’. A sessão de abertura tema presença confirmada de Pedro Siza Vieira, ministro Adjunto e da Economia. O primeiro painel de debate, sobre ‘Descarbonização e Economia – A Competitividade da Indústria’, contará com a participação de Nuno Lacasta, presidente da APA – Agência Portuguesa do Ambiente; Ricardo Bayão Horta, professor emérito da Universidade de Lisboa, professor catedrático jubilado do IST – Instituto Superior Técnico e ex-presidente da Cimpor; João de Mello, presidente do conselho de administração da Bondalti; e Paulo Martins, membro da comissão executiva do Haitong Bank, sendo moderado por Filipe Alves, diretor do Jornal Económico.

Às dez horas, Carmen Andrade, professora e investigadora do Instituto de Ciencias de la Construcción Eduardo Torroja, irá apresentar um estudo sobre ‘Absorção de CO2 por edifícios em betão’. O segundo painel, a partir das 10h45m, sobre o tema ‘Resiliência e Sustentabilidade das Cidades – Smart Cities’, irá contar com a participação de Carlos Mineiro Aires, Bastonário da Ordem dos Engenheiros; Fernando Santo, administrador executivo do Montepio Gestão de Ativos Imobiliários; Manuel Reis Campos, presidente da CPCI – Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário; e João Pardal Monteiro, antigo presidente da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, com a moderação a cargo de Pedro Pinto, subdiretor de informação da TVI.

A sessão de encerramento desta conferência será assumida por Luís Fernandes, presidente do conselho executivo da ATIC e CEO da Cimpor Portugal, e por Nuno Lacasta, presidente da APA.”

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt | 03.06.2019

“Indústrias nacionais de materiais de construções têm uma produção equivalente à Autoeuropa”
Gonçalo Salazar Leite, presidente da ATIC – Associação Técnica da Indústria de Cimento, realça que “em Portugal, temos esses custos relacionados com os direitos de emissão e com o custo da energia, por muito grande que seja a nossa eficiência energética”.

“Qual a importância da indústria cimenteira na Europa?

Esta indústria assegura na Europa cerca de 1,1 milhões de postos de trabalho, diretos, indiretos e induzidos. E é preciso ver que neste momento a capacidade instalada na Europa nesta indústria ainda é excedentária, por isso, se não se existirem condições para operar, o risco de encerrar capacidade industrial na Europa é muito real. Se olharmos, por exemplo para uma fábrica de cimento na Turquia, no Egipto, ou na Argélia, em comparação com as suas congéneres do espaço europeu, percebemos que tem um enquadramento fiscal e social diferente, um custo de energia muito mais reduzido e, acima de tudo, não tem de pagar pelas emissões de CO2 que o seu processo produtivo gera. Como é que vai ser possível competir com isto?

Em Portugal, temos esses custos relacionados com os direitos de emissão e com o custo da energia, por muito grande que seja a nossa eficiência energética. Se esses ónus comparativos não permitirem as exportações, devido a custos competitivos, obviamente, isso terá consequências na capacidade instalada e nas exportações portuguesas desta indústria, e rapidamente também na substituição da produção para o mercado interno.

Como se pode resolver esse problema?

Na U.E., existe o objectivo de ter 20% do PIB gerado a partir da indústria. A Comissão Europeia inclui a indústria cimenteira numa das seis cadeias de valor identificadas como estratégicas, que a União Europeia quer desenvolver na próxima década. Portugal tem pouca indústria e esta indústria cimenteira é das poucas que tem capacidade para gerar exportações, garantir emprego e aumentar os níveis de sustentabilidade. As autoridades nacionais têm de olhar para a indústria nacional, em geral, como um desígnio nacional, e para a indústria cimenteira como uma possibilidade de manter o país autónomo em termos económicos e ambientais.

Em Portugal, a indústria cimenteira, juntamente com todas as outras indústrias de materiais de construção – cimento, betão, agregados, aço, cerâmica, vidro, madeira e cortiça para construção, e outras – realizam exportações equivalentes a mais de 3% do PIB nacional – o equivalente a uma Autoeuropa.

A UE quer descarbonizar dentro das suas fronteiras. No que respeita a Portugal, estamos confiantes que, juntamente com o Ministério do Ambiente e com o Ministério da Economia, conseguiremos alcançar este desígnio. Se assim for, conseguiremos manter em Portugal as fábricas e os empregos, iremos ter uma indústria que abastece o mercado interno e têm exportações, que mantém em Portugal o ‘know how’ adquirido, assim como a geração de valor acrescentado, já sem falar da óbvia contribuição para a balança de pagamentos do país.

O que é preciso para que tal se concretize?

É fundamental haver apoio ao investimento em novas tecnologias para captar e para a reutilização de carbono. Isso é indispensável para a sustentabilidade ambiental do setor, da economia e da sociedade. É necessário um novo enquadramento regulamentar competitivo para descarbonizar um processo produtivo com que a indústria cimenteira europeia e portuguesa se comprometeram.

No que respeita às exportações, existem dois ónus que recaem sobre a indústria cimenteira.

Quais são esses ónus?

Por um lado, o custo dos direitos das emissões de CO2. Um produto de cimento português comercializado em África estará obrigado a pagar o que os produtores da Turquia ou do Egipto, por exemplo, não fazem. O designado Mecanismo de Regulação dos Direitos de Emissão, vertido em Portugal para o CELE – Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CO2), era um documento, um regulamento que, a prazo, era uma forma de evitar a deslocalização das fábricas para fora da Europa. Mas já é insuficiente para chegar a uma economia e a uma indústria cimenteira de baixo carbono. E corre o sério risco de começar a induzir a deslocalização e a desindustrialização. Como produzir menos não é opção, se não se produzir cá cimento, faz-se lá fora, com todas as consequências negativas que daí advém.

E o segundo ónus?

O segundo ónus tem a ver com os custos de eletricidade. Com a eletrificação, nomeadamente a partir da energia renovável. É um desígnio europeu, mas neste momento não há capacidade. Só o plano da indústria siderúrgica europeia para descarbonização da indústria do aço prevê que se vá consumir uma vez e meia toda a eletricidade hoje consumida na Alemanha, a maior economia da Europa. E o que se prevê na Europa é que a descarbonização seja feita toda assente em energias renováveis – e não existe capacidade suficiente, nem de produção nem de transmissão. Temos um longo caminho a percorrer. E enquanto a transição energética não for concretizada, haverá um sobrecusto da utilização das energias renováveis por parte das indústrias, agravando os problemas de competitividade. E é preciso também dizer que esta industria é uma facilitadora da descarbonização de outro sectores: por exemplo, não haverá plataformas eólicas no mar do Norte sem bases em betão, pelo que é essencial perceber que a indústria cimenteira é uma parte da solução, também aqui, para descarbonização da economia e da sociedade europeias.

O que é que defende para superar esses ónus?

Em diversos países da EU, há ajudas de Estado para que as indústrias eletrointensivas, como é o caso da indústria cimenteira, possam adaptar-se. Para exemplo, posso dar-lhe o Plano de Apoio à Indústria Cimenteira espanhola, aprovado este ano. Em Portugal, não temos assistido a isso. E este é um fator que vai pesar cada vez mais na formação de custos de qualquer indústria eletrointensiva.

A ATIC já fez uma proposta nesse sentido ao Governo português?

Em Portugal, temos um diálogo em curso, bem como a nível europeu. Esperamos que os nossos argumentos sejam compreendidos pelo Governo.

A indústria do cimento está na base do betão, um material indispensável e sustentável, e quer garantir a sustentabilidade e a descarbonização do seu processo. Esse desígnio é assumido por esta indústria em toda a Europa e para isso a indústria cimenteira está comprometida com a inovação, não só ao nível do produto, mas também do processo.

Pode dar-me exemplos?

No último ano, em Paris, as associações da indústria cimenteira europeia promoveram em Paris três seminários de demonstração de ‘startups’, sobre a descarbomização, a digitalização do setor e a economia das ‘startups’ aplicadas a este sector. Foram apresentados projetos empresariais em áreas como a inteligência artificial aplicada à indústria, a digitalização da actividade de construção, a descarbonização de fases do processo e a utilização do betão em ‘smart cities’. Através deste CEMENTLAB, estamos a fomentar a criação de ‘startups’ com projetos de base digital e tecnológica, para acelerar a transformação digital aplicada à indústria cimenteira. Estamos a fomentar estas tecnologias disruptivas, não só no digital, mas também para captura de carbono.

E percebeu-se também que esta indústria é um campo privilegiado para a aplicação de uma indústria 4.0. Se em Portugal e na Europa queremos ter uma Indústria 4.0, temos de começar por manter e fazer evoluir a que já temos.

E qual o caminho da indústria cimenteira em termos de sustentabilidade?

É importante perceber a importância para a nossa indústria da substituição dos combustíveis fósseis por combustíveis derivados de resíduos. Esse é um dos paradigmas da economia circular. Já há muito tempo que aproveitamos resíduos de outras indústrias, por exemplo com subprodutos derivados da indústria siderúrgica. E queremos garantir que a indústria cimenteira se poderá manter em Portugal, como uma indústria competitiva e sustentável. A produção cimenteira é facilitadora da atividade económica em geral e, por isso, queremos também contribuir para a competitividade económica da indústria como um todo. Por isso, estamos a criar núcleos de economia circular juntando diversas indústrias de processo, integrados no projeto europeu SPIRE, em cuja implementação estamos a perceber que a indústria cimenteira é fundamental para uma indústria circular.”

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt | 03.06.2019

“Investimento na indústria em Portugal está abaixo da UE”, diz Siza Vieira
O ministro Adjunto e da Economia, assume que o setor tem vindo a recuperar nos últimos anos, e que os próximos anos serão de investimento e expansão.

“Apesar de ter crescido nos últimos anos, o “nível de investimento em Portugal na indústria, ainda se encontra abaixo da média da União Europeia”, afirmou o ministro Adjunto de da Economia, Pedro Siza Vieira.

O ministro Adjunto e da Economia discursou na abertura da conferência dedicada aos “Desafios à sustentabilidade dos setores económicos portugueses”, que decorre no Centro Cultural de Belém, esta segunda-feira, recordando que em “Portugal o setor da produção de cimento conheceu um momento difícil”, mas que “nos últimos anos recuperou”.

Face a esta recuperação Pedro Siza Vieira, assegurou que se irá registar um maior “investimento e crescimento nesta indústria”, reconhecendo que o “nível de investimento em Portugal ainda está abaixo da média na União Europeia”.

Pedro Siza Vieira referiu que nos próximos quatro anos vai existir “um investimento público na indústria acima dos 10%”.”

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt | 03.06.2019

“É preciso reduzir praticamente 100% as emissões de carbono até 2050”, diz Agência Portuguesa do Ambiente.
Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, assume que Portugal “precisa de refletir sobre a política industrial”, em relação ao setor do cimento.

“As alterações climáticas foram um dos temas que estiveram em debate na conferência sobre os “Desafios à sustentabilidade dos setores económicos portugueses”, realizada no Centro Cultural de Belém, em Lisboa esta segunda-feira. Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), foi um dos oradores presentes e assumiu que “é preciso reduzir praticamente a 100% as emissões de carbono até 2050”.

O líder da APA fez parte do painel onde se discutiu a “Descarbonização e Economia”, moderado pelo diretor do Jornal Económico, Filipe Alves. Nuno Lacasta, diz que é necessário “perceber se em Portugal podemos ter o arrojo de uma política industrial e nesse contexto, como é que olhamos para o setor do cimento”.

Em resposta ao ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, que tinha discursado anteriormente, Nuno Lacasta, afirmou que “é extraordinário que tenha de vir da área do ambiente o primeiro impulso para refazermos a economia do nosso país”, assumindo que é preciso “refletir sobre a política industrial em Portugal”.

Presente neste painel esteve também João de Mello, presidente do Conselho de Administração da Bondalti, que alertou para o facto do “custo da energia na Alemanha ser 50% mais barata do que em Portugal”, e que “ainda hoje pagamos entre 10% a 15% de energia mais cara, em relação a Espanha”.

O responsável da empresa ligada à indústria química salientou que “se queremos viver numa verdadeira União Europeia tem de haver regras iguais para todos. Espero que a breve prazo toda a transição energética leve a uma uniformização das regras e a uma convergência que consiga manter a indústria”.

João de Mello destacou ainda que “tem de existir uma uniformização em termos de regulamento, transferível a toda a Europa para o bem da competitividade da indústria e seu crescimento”.

Por sua vez, Paulo Martins, membro da Comissão Executiva do Haitong Bank, acredita que a solução “para este mercado é ter financiamentos sustentáveis”, e como tal “vamos começar a assistir mais aos investidores a reproduzirem em determinados níveis da indústria e isso vai encarecer o financiamento”.

O responsável frisou que “os bancos têm naturalmente investido nestes últimos anos em alavancarem os negócios na indústria cimenteira e da construção, tanto em termos de negócios de financiamento, bonds ou assessoria”.

Outro dos presentes neste painel foi Bayão Horta, antigo secretário de Estado das áreas da Energia e Minas e da Indústria Transformadora. O também professor universitário avisa que o que “está aqui em causa é uma mudança de paradigma global”, e que são “nos avanços científicos que temos de ir buscar as capacidades que depois terão de ter um impacto económico e social”.

Isto porque, de acordo com Bayão Horta “temos vários desafios à nossa frente, mais concretamente três: o problema demográfico, a água potável e o problema do mar. Temos crucialmente de atuar de uma forma unida e utilizar os avanços científicos para combater o paradigma e desafios globais da indústria”, salientou.

Bayão Horta sublinhou que “tem de existir uma liderança mobilizadora, partindo do Governo e seguindo pelas Empresas e por fim a Educação. Em conjunto trabalhar nas soluções para ultrapassar estes desafios com certezas que iremos encontrar as soluções certas para o País”.

Bayão Horta chamou ainda a atenção para fatores como as alterações climáticas, a transição energética, a neutralidade de carbono, a economia circular, ou a inteligência artificial, mas também para o perigo relacionado com a água. “A nível planetário só 4% da água é potável e nós continuamos a utilizá-la”, frisou.”

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt | 03.06.2019

“Setor cimenteiro é um fator-chave na economia circular”, refere CEO da Secil
Otmar Hubscher, considera haver “espaço para avançar e abordar elementos de novas tecnologias que vamos precisar para poder cumprir o objetivo da indústria cimenteira, de reduzir em 80%, até 2050 as emissões de CO2”.

“Otmar Hubscher, CEO da empresa Secil frisa que o “setor cimenteiro é um fator-chave na economia circular e da construção civil”.

Em entrevista ao Jornal Económico, à margem da conferência sobre os “Desafios à sustentabilidade dos setores económicos portugueses”, realizada na segunda-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o responsável da Secil destacou que é necessário investir no desenvolvimento de pesquisas, não só do setor privado, mas também das universidades para viabilizar tecnologias mais inovadoras para a área cimenteira.

O que espera que seja feito na indústria cimenteira nos próximos anos?

Sabemos que temos de reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2). Somos peça-chave da cadeia de valores da construção civil e da economia circular. O cimento é um produto básico para a construção civil, sem ele não temos habitações nem infraestruturas. Existe o betão que hoje é considerado o segundo produto mais utilizado pelo ser humano, e isso não é por acaso, porque é um produto local e sustentável. Mesmo sabendo que fazemos da parte da construção civil, a indústria cimenteira e a Secil em particular tem abordado o tema da sustentabilidade desde há muitos anos, não é algo que nos tenha apanhado de surpresa.

Já tinhamos sido avisados pela comunidade europeia e os legisladores sobre estas mudanças, mas agora vamos entrar numa fase regulatória mais exigente e vamos ter de abordar este tema, e temos espaço para avançar e abordar elementos de novas tecnologias que vamos precisar para poder cumprir o objetivo da indústria cimenteira, de reduzir em 80%, até 2050 as emissões de CO2.

A Secil, tal como outras cimenteiras tem projetos em várias fases de maturidade, alguns em fases de avaliação técnica para poder nos próximos anos cumprir com esses desafios.

Que projetos são esses?

Vamos precisar de tecnologias que hoje podem não estar disponiveis numa escala industrial e economicamente viável. O investimento no desenvolvimento de pesquisas, não só do setor privado, mas também das universidades para viabilizar essas tecnologias mais inovadoras.

Que papel espera a Secil desempenhar em Portugal?

Para poder dar uma perspetiva positiva em relação ao emprego precisamos de competitividade, que é um dos três eixos da sustentabilidade económica. Temos parcerias com universidades para poder modernizar o parque fabril em Portugal, sabendo que estamos numa fase de crescimento. Isto vai trazer novos desafios aos nossos profissionais, já que vão ter de aplicar outros conhecimentos.

Em Portugal existe essa competitividade?

Sim. A indústria tem feito um trabalho muito forte desde 2001, quando se deu o pico de consumo doméstico e foi obrigado a procurar novos mercados e a eficiencizar os processos, a reduzir as emissões de CO2. E hoje mesmo com uma procura menor, demonstra que é competitiva e encontrou um caminho para superar as dificuldades.

A economia circular será um fator determinante para os novos desafios?

Sem dúvida. O setor cimenteiro também é um fator-chave na economia circular. Nos residuos somos uma solução onde podemos substituir na totalidade a necessidade de recursos energéticos térmicos.”

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt | 04.06.2019

“Betão deve ser utilizado com objetivo de poupança de energia”, afirma líder da Cimpor
Luís Fernandes acredita que este produto “tem um papel particularmente importante nas sociedades do futuro, pela qualidade do material e na possibilidade das cidades inteligentes serem do ponto de vista energética, mais económicas”.

“Luís Fernandes, presidente do Conselho Executivo da Associação Técnica da Indústria do Cimento e CEO da Cimpor Portugal, defende que o “betão é um material que deve ser utilizado com o objetivo de poupança de energia na construção de habitações”.

Em entrevista ao Jornal Económico, à margem da conferência sobre os “Desafios à sustentabilidade dos setores económicos portugueses”, realizada na segunda-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o responsável da Cimpor alerta para o perigo do cimento vindo de Espanha e para as medidas a serem tomadas, de forma a reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2050.

Que medidas espera que sejam implementadas na indústria do cimento em Portugal?

Primeiro é preciso realçar os desafios que o acordo de Paris e a nova regulamentação do comércio europeu de licenças de emissões, trazem a partir de 2021 e até 2030. Temos de olhar para estes temas de modo a tornar a indústria sustentável, competitiva interna e externamente. O betão tem um papel particularmente importante nas sociedades do futuro, pela qualidade do material e na possibilidade das cidades inteligentes serem do ponto de vista energética, mais económicas. O betão é um material que deve ser utilizado com o objetivo de poupança de energia na construção de habitações.

Quais os benefícios dessa competitividade interna?

Temos a ameaça do cimento espanhol, que em termos de custos indiretos de energia elétrica relacionados com o CO2 têm apoios do Estado, de acordo com as regras da União Europeia e nós em Portugal não temos. Portanto, cria aqui uma desigualdade face a outros países europeus. Isso é um factor de diferença de competitividade.

O que é necessário fazer a curto prazo para reduzir as emissões de CO2, para atingir os 80% em 2050?

Há três vertentes: os recursos, ou seja utilizar cada vez mais combustíveis alternativos em vez dos fósseis. Essa meta depende não só da empresa, mas também dos agentes políticos criarem uma legislação a desincentivar a posição em aterro, onde atualmente temos uma taxa de posição muito baixa comparada com o resto da Europa.

A eficiência energética (elétrica e calorífica), e apesar do muito investimento feito no passado, ainda há trabalho que podemos fazer.

Por último, a captura e armazenagem de carbono. Não conseguimos atingir os 80% de redução comparando com 1990, se não houver esta tecnologia disponível que possamos todos utilizar. Ela existe numa fase inicial, mas leva a custos muito elevados. Estamos a fazer investimentos com universidades no sentido de produzirmos um clinquer, que é a matéria prima base para a produção de cimento com menos CO2.

É necessário investimento público e privado para conseguir ter estas tecnologias?

Sim, é preciso apoios da parte governamental que tem um papel importante e a União Europeira também. Todas as entidades têm interesse, porque no fundo acaba por ser o país que sai a ganhar com esta situação.”

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt | 04.06.2019